
Foto: Reprodução / Instagram
Parlamentar baiano é investigado por chefiar organização criminosa, mas advogados afirmam inocência e denunciam abusos na operação
O deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, apresentou-se espontaneamente ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) na última sexta-feira (3), após a expedição de um mandado de prisão. A medida integra a Operação Estado Anômico, desdobramento da investigação “El Patrón”, que apura crimes como lavagem de dinheiro, jogo do bicho, agiotagem, comércio ilegal de armas e associação ao tráfico.
Segundo o MP-BA, a operação resultou ainda no cumprimento de mandados contra familiares do parlamentar e outras pessoas ligadas ao grupo, além do bloqueio judicial de até R$ 9 milhões em bens. A investigação permanece sob sigilo judicial, e o órgão afirma que as prisões foram decretadas para garantir a ordem pública e a continuidade do processo.
A versão da defesa
Poucas horas após a rendição, o deputado divulgou em seu Instagram oficial uma nota de esclarecimento assinada por seus advogados Gamil Föppel e Robson Oliveira da Silva, contestando as acusações e a legalidade das prisões.
Na nota, a defesa sustenta que:
• Binho Galinha não estava foragido: apesar da prisão decretada em agosto, teria comparecido voluntariamente ao fórum em duas ocasiões em setembro, reforçando intenção de colaborar com a Justiça.
• A prisão preventiva seria nula: segundo os advogados, foi decretada por autoridade judicial incompetente e em contrariedade a decisões anteriores do STJ.
• Prisão dos familiares: os defensores classificaram como “desumana e desproporcional” a prisão do pai, mãe e irmão do deputado, alegando que a medida deixou uma criança de 11 anos desamparada, em afronta ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
• Excessos na operação: apontaram suposta “espetacularização” da ação, com transmissão de vídeos em tempo real e uso indevido de algemas, o que, segundo eles, viola a Súmula Vinculante nº 11 do STF.
• Ausência de provas: a defesa afirma que a instauração de novo inquérito demonstra a fragilidade do processo e a “pobreza probatória” contra o parlamentar.
• Perseguição política: afirmam que o caso configura “evidente perseguição”, e que todas as medidas judiciais cabíveis serão tomadas para restabelecer a legalidade.
⚖️ Repercussão política
O caso tem forte impacto na política baiana. Há expectativa de que a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) se manifeste sobre a situação do mandato do parlamentar, que pode enfrentar processo de cassação.
Enquanto o Ministério Público mantém a investigação em sigilo, a defesa do deputado reforça que confia em uma Justiça técnica e imparcial, capaz de restabelecer, segundo eles, a verdade dos fatos.



Redação Jornal Baiano
Fonte: Ministério Público do Estado da Bahia e Nota Oficial da Defesa de Binho Galinha publicada em seu Instagram.








