Incêndio em ônibus escolar na Bahia expõe crise silenciosa que ameaça estudantes

Um princípio de incêndio em um ônibus escolar na cidade de Caldeirão Grande, no norte da Bahia, acendeu o alerta para uma realidade preocupante: a precariedade do transporte estudantil no interior do estado.

Embora o incidente não tenha deixado feridos, o alerta do prefeito local ecoa em diversos municípios que enfrentam a falta de frota adequada, repasses insuficientes e manutenção precária.

O ocorrido desta quarta-feira (13) envolveu um veículo que transportava alunos da rede estadual. Segundo nota da prefeitura, a rápida ação da equipe evitou uma tragédia.
Diante da gravidade, a gestão municipal reforçou a cobrança por novos veículos, afirmando que já solicitou apoio ao Governo Federal e aguarda a entrega de ônibus prometidos pelo Governo da Bahia — tanto por meio de emenda parlamentar quanto por compromisso direto — que, até hoje, não foram entregues.

A prefeitura de Caldeirão Grande alerta que a espera por esses veículos obriga o município a depender de uma frota antiga, expondo a vida dos estudantes a riscos diários. “É a segurança dos nossos filhos que está em jogo”, afirmou o prefeito.

Uma crise que se repete

O caso de Caldeirão Grande não é isolado. Gestores municipais de várias regiões da Bahia relatam dificuldades semelhantes para manter o transporte escolar seguro, especialmente para estudantes da zona rural — que representam mais de 20% da rede estadual. Trata-se de uma “crise silenciosa” que só ganha destaque na imprensa quando acidentes graves acontecem.
Um exemplo trágico ocorreu em Ipirá, onde, em fevereiro de 2024, uma criança de cinco anos morreu após um acidente envolvendo transporte escolar. Investigações do Ministério Público e da Defensoria Pública apontaram falhas como superlotação, ausência de cintos de segurança para todos os alunos e falta de vistorias periódicas.

O desafio financeiro

Para as prefeituras, a principal barreira é a falta de recursos. Renovar e manter a frota é caro, e os repasses estaduais e federais são considerados insuficientes.

  • Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (Pnate): Repassou R$ 116,59 milhões à Bahia em 2024. No entanto, o valor por aluno (cerca de R$ 100 ao ano) é muito inferior ao custo real do serviço.
  • Programa Estadual de Transporte Escolar (PETE/BA): Repassou R$ 65,2 milhões aos municípios em 2024. Prefeituras afirmam que a maior parte do custeio ainda recai sobre seus próprios orçamentos, já comprometidos.

A União dos Municípios da Bahia (UPB) tem pressionado as autoridades por soluções emergenciais, como aumento dos repasses e a entrega imediata dos veículos prometidos.

Enquanto a questão não for resolvida de forma estrutural, o alerta de Caldeirão Grande serve como um lembrete: o transporte escolar seguro está se tornando um desafio quase inatingível em várias cidades baianas. A cada dia sem solução, vidas continuam expostas ao risco.

Jornal baiano
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